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Acesso em 24/06/2022 às 19h28.

Nordeste aponta saídas durante Pensar o Brasil

11 de agosto de 2006, às 1h37 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Partindo de uma reação contrária a linha divisória imaginária que coloca em lados
opostos dois brasis: o primeiro com emprego, renda, saúde, ciência e tecnologia, e o
segundo com o ônus da pobreza, da fome, da falta de investimentos e, principalmente,
da falta de políticas públicas de inclusão, foi o que motivou o Conselho Federal de
Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) e os 27 Creas do País a montar o
Projeto Pensar o Brasil e Construir o Futuro da Nação. A idéia foi trabalhar
propostas construídas por um setor que hoje congrega em torno de 900 mil
profissionais e que pelas mãos dos seus profissionais, direta ou indiretamente,
passa cerca de 70% do PIB Nacional.

“De 1996 a 2005 o Brasil cresceu 22,4%, enquanto a economia mundial nesse mesmo
período dobrou. O PIB mundial cresceu 46%. Num País como o Brasil, que tem
necessidade de desenvolvimento e condição de gerar oportunidade de trabalho e
empregos para todos, com as riquezas, o solo, o sol , a água e o domínio tecnológico
que temos, por que está travado no seu desenvolvimento? Juros, dívidas? Nós temos
que discutir isso para mudar a direção que o País vem caminhando”, enfatizou o
presidente do Confea, Marcos Túlio de Melo, que veio de Brasília fazer a abertura do
seminário no Nordeste.

Profissionais e especialistas dos nove estados nordestinos (Maranhão,
Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe
e Bahia) estiveram reunidos, de 7 a 9 de agosto, no Recife, trabalhando
com quatro eixos temáticos: Energia e Recursos Naturais, com palestras
do diretor administrativo da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco
(Chesf), João Bosco, e do secretário de Planejamento e Desenvolvimento
Energético do Ministério de Minas e Energia (MME), Márcio Zimmermann);
Trabalho, Formação, Ciência e Tecnologia, com palestra do deputado
federal Ariosto Holanda (PSB/CE); Infra-estrutura e Ocupação do
Território Nacional, com palestras da economista Tânia Bacelar do
ex-prefeito de Natal – RN, Aldo Tinoco Filho e Comunicação como Fator de
Integração, com palestra do presidente do Instituto de Estudos Avançados
em Comunicação (IECOM), Marcelo Alencar.

PROPOSTAS – As informações que serviram de base para a montagem das propostas da
Região Nordeste foram fornecidas a partir de palestra e de discussões de grupos de
trabalho. Márcio Zimmermann, que falou dentro do eixo Energia e Recursos Naturais
apontou que o maior desafio do setor elétrico hoje é a escolha da matriz energética
que será utilizada pelo País. “O Brasil é um país diferenciado, com uma matriz
energética 44,7% baseada em fontes renováveis, enquanto a média mundial fica entre
17% e 20%”, observa lembrando que deste montante 83% vem a partir das
hidroelétricas. Segundo o secretário os diversos obstáculos para a implantação de
grandes hidroelétricas obrigarão a diversificação da matriz. “A tendência é que as
tarifas de energia elétrica sejam cada vez mais altas, chegando o momento em que a
sociedade terá que decidir que tipo de impacto ambiental e que tipo de energia ela
irá consumir”, explicou.

Já no eixo Trabalho, Formação, Ciência e Tecnologia, o deputado federal Ariosto
Holanda (PSB/CE) trouxe a tona o analfabetismo tecnológico que o País enfrenta. Para
Holanda, que participa do Conselho de Altos Estudos e Avaliação Tecnológica da
Câmara dos Deputados, é fundamental a criação do fundo de fomento à capacitação
tecnológica, previsto no Projeto de Lei nº 7.394, em tramitação na Câmara dos
Deputados. “O avanço tecnológico está exigindo cada vez mais conhecimentos e
profissionais preparados para áreas específicas do conhecimento”, afirma alertando
que em 10 anos apenas 10% da população economicamente ativa estará nos setores
primários e secundários.

A economista Tânia Bacelar, no eixo Infra-estrutura e Ocupação do
Território Nacional, demonstrou a linha imaginária que divide os dois
brasis. “O País se divide a partir de Belo Horizonte, para cima e para
baixo, formando o mapa da desigualdade, onde a parte superior é carente
de tudo e a inferior não”. Tânia observou que o Brasil ainda é um país
em ocupação e que escolher a infra-estrutura que cada região irá receber
é determinante para o tipo de futuro que se quer em cada uma delas.
“Nosso desafio é pensar quais infra-estruturas serão capazes de
dinamizar as regiões estagnadas e de baixa renda que, invariavelmente,
se situam na parte superior do mapa”, concluiu.

O primeiro resultado da série de seminários do Projeto Pensar o Brasil e Construir o
Futuro da Nação será a entrega de um documento aos candidatos à Presidência da
República durante a 63.ª Semana da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia
(SOEAA), a ser realizada em Maceió (AL), de 20 a 24 de agosto. Os seminários do
Projeto Pensar o Brasil foram realizados em Águas de Lindóia (SP), de 6 a 8 de
julho, Manaus (AM), de 19 a 21 de julho, Florianópolis (SC), de 26 a 28 de julho,
Brasília (DF), de 1 a 3 de agosto e Recife (PE) de 7 a 9 de agosto.

“Toda sociedade devia estar envolvida neste processo de pensar o Brasil, de pensar o
nosso futuro. Esse futuro é fundamental para que possamos construir o processo de
transformação pelo qual nosso País precisa passar. Tomamos a decisão de nos inserir
no processo político e institucional de transformar este País em uma grande nação”,
destacou o presidente do Crea Pernambuco, Roberto Muniz.