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Acesso em 25/06/2022 às 00h59.

O MERCADO IMOBILIÁRIO X SUSTENTABILIDADE

18 de junho de 2008, às 2h38 - Tempo de leitura aproximado: 4 minutos

Os números do mercado imobiliário demonstram que estamos vivendo um momento de muita euforia. Segundo levantamento da Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), entre janeiro e setembro de 2004, cerca de 17.300 novos apartamentos e casas em condomínios horizontais foram colocados à venda na região metropolitana de São Paulo. No mesmo período de 2007, esse número saltou aproximadamente 75%, para 30.500. Nada indica que este cenário irá mudar. Todo dia, um novo prédio é lançado na cidade.

Os bancos oferecem prazos de financiamento cada vez mais longos (de até trinta anos) e segurança (prestações fixas). Segundo dados do Banco Central, o total de empréstimos direcionados ao setor habitacional chegou a R$ 40 bilhões de reais em setembro de 2007, o maior nível em seis anos.

Para o arquiteto e sócio fundador do EB-A – Espaço Brasileiro de Arquitetura, Gláucio Gonçalves, esse ritmo de crescimento será ainda maior este ano, pois entraram em vigor as novas normas de financiamento com recursos do fundo de garantia de tempo de serviço (FGTS). Até dezembro de 2007, os empréstimos do FGTS estavam restritos aos trabalhadores com carteira assinada que tinham renda máxima mensal de R$ 4.900 reais. Essa restrição caiu a partir deste ano. Quem ganha mais do que isso poderá pedir um empréstimo, onde os juros serão em torno de 8,7% ao ano, mais a variação da taxa referencial (TR), que desde 2003 não superou 3% ao ano. As outras restrições vão continuar: só pode usá-lo quem tem carteira assinada e não possui nenhum imóvel ou financiamento imobiliário.

Cenário esse, que devido o elevado déficit habitacional no Brasil, torna a importância da arquitetura sustentável um aspecto cada vez mais primordial na elaboração de projetos para a construção de imóveis das classes C e D, que hoje já podem realizar o sonho da casa própria.

Na construção civil aproximadamente 50% dos materiais de construção são desperdiçados, sendo que 25% se transformam em resíduos e 25% são utilizados para a recuperação da geometria do edifício. Os resíduos da construção, demolição e reformas representam índices altíssimos do volume total dos resíduos urbanos. Os canteiros de obras são os grandes responsáveis pelo aumento do volume de resíduos e pelos impactos que causam ao ambiente, principalmente por serem levados a lugares inadequados.

Acredito que a utilização de sistemas de energia mais eficientes e menos poluentes, sistemas de coleta e tratamento de água e esgoto, sistemas de captação de águas pluviais, uma melhor qualidade de ar interno e conforto ambiental, coleta seletiva de lixo, redução da geração de resíduos, entre outros, tornam-se aspectos mínimos fundamentais na hora de definir um projeto.

O que era visto como um diferencial no mercado imobiliário começa a virar regra. Uma lei aprovada em julho de 2007 obriga novas edificações a terem tubulação adequada para receber aquecimento solar da água. Em lançamentos cujas unidades tiverem com mais de três banheiros, a instalação de placas é obrigatório.

Certamente, contemplar estes aspectos da sustentabilidade significa causar um impacto muito positivo na comunidade, bairro, cidade, estado, país e conseqüentemente na melhoria de qualidade de vida das pessoas e futuras gerações.

É importante que haja realmente uma preocupação de todos com o meio ambiente. A sustentabilidade tem como princípios básicos três questões: a questão ambiental ideal, a social e a economicamente correta. A grande vantagem de entender e trabalhar na direção de nossos ecossistemas é que podemos desfrutar as necessidades presentes sem comprometer a habilidade das gerações futuras em satisfazerem a si próprias.

Porém, todo esse trabalho só terá efeito real se houver uma real conscientização da sociedade em fazer com isso aconteça. Esses conceitos mínimos, feitos em grande escala, não somente do lado de dentro dos empreendimentos, mas também fora dos portões farão com que nossos ecossistemas entendam que estamos trabalhando em sua direção e não contra eles.

Todos nós podemos incorporar em nossas vidas um padrão de sustentabilidade inicial e perceber que, ao longo dos dias, semanas, meses e anos, esse mesmo processo já será um hábito.

Abordar, portanto, o desenvolvimento sustentável na construção civil é tornar imprescindível a utilização de aspectos mínimos para a sobrevivência não somente para as empresas sob o ponto de vista do mercado, como também, do compromisso social e de toda a humanidade.

Dessa forma, todos passarão a usufruir recursos simples e urgentes, o que dará uma nova realidade para a arquitetura e para a humanidade nos próximos anos.

Temos que ser protagonistas deste grande cenário e transformar a sustentabilidade em uma escola de vida.

Fonte: Gláucio Gonçalves, formado em Arquitetura e Urbanismo, também possui formação técnica pelo Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo. Especializado em arquitetura de interiores e condomínios, recentemente fez o curso de Planejamento de Empreendimentos Sustentáveis – ANAB Brasil. Depois de seis anos de experiência no mercado imobiliário atuando em empresas como Abyara Planejamento Imobiliário e Sthulberger Engenharia, o arquiteto fundou o EB-A – Espaço Brasileiro de Arquitetura, empresa na qual desenvolve projetos em parceria com a Ordem de Arquitetos da Angola para empresas como a Esso Angola e LNG.